terça-feira, 3 de abril de 2012

Lança perfume ou Loló


O lança perfume é uma das substâncias alucinógenas mais encontradas em grandes festas, dessa forma considerada uma droga símbolo do carnaval. Nos tempos de hoje é comum encontrar jovens de 14 a 19 anos de idade, ou mais, com esse tipo de substância, fazendo uso da mesma para se saírem bem nos encontros nas baladas, deixando-os mais desinibidos, alegres, descontraídos e em vários momentos mais agressivos e incompreensivos. Porém o uso frequente ou até mesmo mínimo inalado ou absorvido por qualquer substância tóxica, causa suas dependências e seus danos. 

Características técnicas
O lança-perfume é uma droga manufaturada com solventes químicos a base de cloreto de etila. A versão caseira chamado de "loló" é feita com uma combinação de éter(25%), clorofórmio CHCl3 (45%), álcool de cereais e/ou acetona(25%) e essência perfumada(5%).

Efeitos
Os efeitos do Lança-Perfume podem variar conforme a quantidade inalada pelo usuário, ele age no sistema nervoso central e causa desde um pequeno zumbido até fortes alucinações, inicia 5 à 10 segundos após a inalação da droga e dura de 30 segundos a até 10 minutos.

►Euforia e excitação. 
►O tato é alterado e pode levar a uma sensação de "estar voando". 
►Formigamento das extremidades, no caso, mãos e pés. 
►Formigamento da face. 
►Forte barulho no ouvido, na maioria dos casos e como uma das características da droga, o famoso "Tuim" (semelhante ao barulho de uma linha telefônica aguardando uma chamada), e com o uso continuo da droga algumas pessoas escutam o barulho semelhante o de um helicóptero (vum vum vum), ou o de uma ambulância. 
►Sensação de felicidade. 
► Vontade de rir. 
►Alucinações: se inalado em grandes quantidades a pessoa perde os sentidos, tem alucinações, sonhos, mas podendo sempre sofrer sérios danos causados por quedas ou por agir inconscientemente. 
► Após o efeito da droga, segue náuseas, depressão, dores de cabeça e mal estar. 
►No dia seguinte ou algumas horas depois podem surgir dores no estômago e uma sensação semelhante a uma ressaca. 
►Se inalado em grande quantidade, há uma forte tendência do usuário cuspir placas de sangue. 
►Se misturado a bebida pode causar coma profundo. 
►Se você chegar ao ponto de desmaiar, terá sonhos alucinantes e ao acordar não se recordará de nada e ficara "lesado" por um tempo,como se fosse uma espécie de ressaca. 

Pesquisas indicam que o uso não causa dependência física, mas pode causar dependência psicológica e danos sérios ao sistema nervoso.

Abstinência
Os inalantes ou delirantes não causam dependência física, mas, o mesmo não se pode afirmar da psicológica e da tolerância. Depois de absorvidos pela mucosa pulmonar, essas substâncias são levadas para o sistema nervoso central, fígado, rins, medula óssea e cérebro, causando neste último o bloqueio da transmissão nervosa. Para os indivíduos já viciados, a síndrome de abstinência, embora de pouca intensidade, está presente na interrupção abrupta do uso dessas drogas, aparecendo ansiedade, agitação, tremores, câimbras nas pernas, insônia e perda de outros interesses que não seja o de usar solvente. A tolerância pode ocorrer, embora não tão dramática quanto de outras drogas.

Efeitos das drogas no cérebro




A maioria das pessoas sabe que as drogas são nocivas à saúde. Entretanto, ainda são escassas informações mais detalhadas que mostrem como as substâncias químicas afetam o cérebro. 

De acordo com o neuropsicólogo Paulo Januzzi Cunha, coordenador de um trabalho que mostra os efeitos das drogas no cérebro, realizado pelo Grea (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas) e pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, o estudo aponta uma série de alterações nas regiões pré-frontal e temporal do cérebro. 

“Essas regiões são importantes porque estão associadas diretamente à regulação da atenção, à memória, à fluência verbal (linguagem), a funções executivas (organização e controle mental), à aprendizagem e à capacidade de tomar decisões”, conta Cunha. 
Segundo ele, há evidências de que os prejuízos causados pelas drogas exerçam um impacto direto na vida do dependente, o que pode causar mudança de comportamento e no modo como ele se relaciona com o mundo. Isso acarreta diversos problemas pessoais, profissionais e emocionais. A razão dessas alterações é que a regulação do nosso afeto localiza-se nas regiões atingidas pelo abuso dessas drogas. 

Outro dano que preocupa o pesquisador está relacionado diretamente às funções executivas do dependente. Cunha afirma que essas funções, localizadas no lobo pré-frontal, cuidam da flexibilidade do ser humano, o que pode dificultar a luta pelo abandono das drogas. 

Entre outras utilidades das regiões lesadas estão as que permitem à pessoa deduzir o que a outra está pensando e se relacionar com elas baseados nessa dedução. Os resultados do estudo constataram déficits e falhas na memória e no aprendizado verbal dos dependentes. A capacidade de atenção, como reter e manipular informações na mente, também sofreu alterações em relação aos níveis normais de atenção.  Em relação ao Q.I. (quociente de inteligência) estimado dos dependentes, a pesquisa não encontrou modificações.