A maioria das pessoas sabe que as drogas
são nocivas à saúde. Entretanto, ainda são escassas informações mais
detalhadas que mostrem como as substâncias químicas afetam o cérebro.
De acordo com o neuropsicólogo
Paulo Januzzi Cunha, coordenador de um trabalho que mostra os efeitos
das drogas no cérebro, realizado pelo Grea (Grupo Interdisciplinar de
Estudos de Álcool e Drogas) e pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade
de Medicina da USP, o estudo aponta uma série de alterações nas regiões
pré-frontal e temporal do cérebro.
“Essas regiões são importantes
porque estão associadas diretamente à regulação da atenção, à memória, à
fluência verbal (linguagem), a funções executivas (organização e
controle mental), à aprendizagem e à capacidade de tomar decisões”,
conta Cunha.
Segundo ele, há evidências de
que os prejuízos causados pelas drogas exerçam um impacto direto na vida
do dependente, o que pode causar mudança de comportamento e no modo
como ele se relaciona com o mundo. Isso acarreta diversos problemas
pessoais, profissionais e emocionais. A razão dessas alterações é que a
regulação do nosso afeto localiza-se nas regiões atingidas pelo abuso
dessas drogas.
Outro dano que preocupa o
pesquisador está relacionado diretamente às funções executivas do
dependente. Cunha afirma que essas funções, localizadas no lobo
pré-frontal, cuidam da flexibilidade do ser humano, o que pode
dificultar a luta pelo abandono das drogas.
Entre outras utilidades das
regiões lesadas estão as que permitem à pessoa deduzir o que a outra
está pensando e se relacionar com elas baseados nessa dedução. Os resultados do estudo
constataram déficits e falhas na memória e no aprendizado verbal dos
dependentes. A capacidade de atenção, como reter e manipular informações
na mente, também sofreu alterações em relação aos níveis normais de
atenção. Em relação ao Q.I. (quociente de inteligência) estimado dos dependentes, a pesquisa não encontrou modificações.

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